6 formas de parecer confiante numa apresentação

Não é todo mundo que nasce com aquele “dom” de fazer grandes apresentações. Até porque, a gente nem acredita que isso seja um dom – é muito mais sobre trabalho duro, prática, repertório e muito estudo.

O texto a seguir foi traduzido do artigo da Kasia Wezowsk, fundadora do Centro de Linguagem Corporal de Harvard e autora de quatro livros sobre o tema. Kasia apresenta 6 maneiras de se tornar mais confiante durante uma apresentação utilizando a comunicação não-verbal, dando dicas preciosas pra quem ainda não tem muita prática nessa área.

“A anos atrás, eu e alguns colegas fomos convidados para prever os resultados de uma competição entre startups em Vienna, na qual 2,5 mil empreendedores do ramo da tecnologia competiam por milhares de euros em fundos. Assistimos às apresentações, mas ao invés de prestar atenção nas ideias que os empresários estavam lançando, nós nos atentamos à linguagem corporal e às microexpressões dos juízes conforme eles ouviam.

Nós demos nosso palpite de quem ganharia antes mesmo de os vencedores serem anunciados, e adivinhamos os resultados.

Dois anos depois, fomos convidados para o mesmo evento, mas dessa vez, ao invés de assistir aos juízes, nós observamos os concorrentes. Nossa tarefa não era adivinhar os ganhadores, mas determinar como a comunicação não-verbal dos apresentadores contribuiu para seu sucesso ou fracasso.

Avaliamos cada potencial empreendedor numa escala de 0 a 15. Marcávamos pontos para cada sinal positivo na linguagem corporal – como sorrir, manter contato visual e gestos persuasivos. Os concorrentes também perdiam pontos para cada sinal negativo – como agitação, movimentos rígidos das mãos e olhares desviados. Descobrimos que os concorrentes que foram classificados entre os oito melhores pelos juízes obtiveram uma média de 8,3 pontos na escala, enquanto aqueles que não ficaram no top 8 conseguiram uma média de 5,5 pontos. A linguagem corporal positiva foi fortemente correlacionada com resultados mais bem-sucedidos.

Encontramos relações similares também no âmbito da política. Durante a eleição presidencial dos Estados Unidos em 2012, realizamos um estudo online no qual mil participantes (entre democratas e republicanos) assistiram a vídeos de Barack Obama e Mitt Romney em eventos de campanha, que ofereciam conteúdo neutro e emocional. Webcams registraram as expressões faciais dos espectadores, e nossa equipe classificou seis emoções-chave: felicidade, surpresa, medo, desgosto, raiva e tristeza. Codificamos também o teor da emoção (positivo ou negativo) e o quão forte cada emoção era expressada.

Essa análise mostrou que Obama provocou respostas emocionais mais fortes e menos negativas. Mesmo um número significativo de republicanos – 16% – reagiu negativamente a Romney. E quando analisamos a linguagem corporal dos candidatos, descobrimos que Obama (que venceria aquelas eleições) se assemelhava muito aos vencedores da competição em Vienna. A análise mostrou que Obama se movimentava de forma aberta, positiva e confiante, em conformidade com o discurso. Romney, por outro lado, muitas vezes emitia sinais negativos, diminuindo sua mensagem com expressões e movimentos faciais contraditórios.

É claro, a eleição não dependia de linguagem corporal, nem os resultados da competição inicial. Mas a forma correta de comunicação não-verbal correlaciona-se com o sucesso.

Como você pode transmitir os mesmos sinais e gerar o mesmo sucesso? No Centro de Linguagem Corporal, estudamos líderes bem-sucedidos em vários campos e identificamos várias posições que são indicadores de uma linguagem efetiva e persuasiva.

1. Caixa

No início da carreira política de Bill Clinton, o ex-presidente pontuava seus discursos com grandes gestos que o faziam parecer incontestável. Para ajudá-lo a manter sua linguagem corporal sob controle, seus assessores o ensinaram a imaginar uma caixa em frente ao colo e à barriga e a conter os movimentos das mãos dentro dela. Desde então, a “caixa de Clinton” tornou-se um termo popular no campo.

2. Segurando uma bola

Gesticular como se estivesse segurando uma bola de basquete entre as mãos é um indicador de confiança e controle, como se você quase sempre tivesse os fatos entre os dedos. Steve Jobs frequentemente usava essa posição em seus discursos.

3. Mãos de pirâmide

Uma maneira de parecer seguro é apertar as duas mãos em uma pirâmide relaxada. Muitos executivos de negócios empregam esse gesto, mas tome cuidado com o uso excessivo e a combinação com expressões faciais dominantes ou arrogantes. A ideia é mostrar que você está relaxado, não presunçoso.

4. Postura ampla

A forma como as pessoas ficam de pé é um forte indicador de sua mentalidade. Numa posição forte e estável, quando você se mantém com os pés separados (na largura de um ombro), isso indica que você se sente no controle.

5. Palmas para cima

Esse gesto indica abertura e honestidade. Oprah Winfrey faz um forte uso desse movimento durante seus discursos. Ela é uma figura poderosa e influente, mas também parece disposta a se conectar de forma sincera com quem está falando, seja uma pessoa ou uma multidão.

6. Palmas para baixo

O movimento oposto também pode ser visto de forma positiva – como um sinal de força, autoridade e assertividade. Barack Obama costumava usá-lo para acalmar uma multidão logo após momentos de excitação.

Da próxima vez que você se apresentar, tente gravar e depois reveja sem áudio, observando apenas sua linguagem corporal. Como você manteve sua gesticulação? Você utilizou alguma dessas posições? Se não, pense como você pode fazer para usá-las na próxima vez que estiver cara a cara com uma audiência ou até mesmo falando com seu chefe ou um grande cliente. Pratique em frente ao espelho, depois com os amigos, até sentir que os gestos estão naturais.

A comunicação não-verbal não necessariamente o tornará um grande líder, mas pode ajudá-lo a obter resultados mais bem-sucedidos.”

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