A pós-verdade e o mundo dos negócios

Todos os anos, o Dicionário Oxford escolhe a palavra do ano. Em 2016, a escolhida da vez foi post-truth ou, em português, pós-verdade. Não é à toa que a palavra de cada ano é escolhida: ela reflete os 12 meses passados, e no caso do termo pós-verdade, ele continua sendo uma tendência não tão benéfica até os dias de hoje.

Como todo fenômeno possui seus pontos positivos e negativos, a difusão da internet e o acesso massivo às redes sociais trouxeram mais do que facilidade de comunicação e disseminação de conhecimento. Esses passos dados pela sociedade acabaram por trazer também à tona o ambiente da pós-verdade, que pode ser entendido como uma forma de narrativa que privilegia um tema de interesse, sem mostrar diferentes ângulos, diferentes opiniões. É pegar um fato e interpretá-lo da forma que lhe for mais conveniente.

A palavra foi escolhida principalmente pelas polêmicas envolvendo o então candidato à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, e a saída da Grã-Bretanha da União Europeia. As manobras da pós-verdade, de fato, são uma arma política bastante poderosa e nem tão atual quanto a propagação das redes sociais. Desde o Império Bizantino, no século VI, as histórias repletas de boatos se espalhavam por aí para arruinar a reputação dos políticos, como foi o caso do imperador Justiniano e o livro História Secreta. Nele, eram contadas diversas histórias de veracidade duvidosa sobre o então imperador.

Nos tempos de hoje, entretanto, não é só para fins políticos que a pós-verdade aparece. As fake news estão dispersas por toda parte, afirmando diariamente que famosos morreram, que celebridades estão grávidas ou que grandes empresas estão falindo.

As redes sociais se tornaram um grande palco para receber os mais variados conteúdos, com os mais diversos temas, todos eles sendo verdade ou não. É aí que a era da pós-verdade encontra raízes firmes, já que atualmente é tão fácil compartilhar conteúdos com um potencial de alcance muito grande. E é uma bola de neve: quando alguém acredita numa notícia falsa, acaba compartilhando aquilo e induzindo potencialmente outras pessoas ao erro, que podem compartilhar também e levar o “fato” aos seus amigos, num ciclo interminável.

Um caso com bastante repercussão no ano passado foi o do achocolatado Itambezinho, que teve seu lote retirado de circulação após da morte de uma criança que havia ingerido o produto. Depois ficou provado que a bebida, na verdade, havia sido envenenada por um parente do garoto, mas até que se provasse o contrário, as pessoas aderiram a um grande boicote à marca. As vendas caíram consideravelmente, e não somente para o achocolatado envolvido, bem como para a marca Itambé como um todo. Foi preciso um longo processo de gestão de crise e comunicação ágil com o consumidor para que a Itambé retomasse as vendas de onde parou.

Se você pensar no seu negócio, um dos problemas imediatos que vem em mente é a replicação conteúdo falso. Com certeza, a credibilidade da sua página cai, e muito, quando você traz notícias que não são verdadeiras ou promoções que não existem.

E ainda há outras formas de ser afetado. Existem por aí muitos sites que são especializados em veicular conteúdos falsos como se fossem verdade, ganhando muito dinheiro com anúncio em suas páginas. E é justamente a isso que é preciso estar atento, para que seu negócio não seja anunciado num site desse tipo e sua marca acabe parecendo ser uma apoiadora do serviço ali prestado.

Quando você se deparar por aí com alguma notícia que não parece tão verdadeira assim, busque outras fontes, leia em outros lugares. Às vezes, as informações desencontradas podem ser de fato propositais, para beneficiar determinada visão sobre um fato, mas também podem ser somente algum problema de comunicação ou interpretação. Só não vale acreditar cegamente em tudo que aparece por aí sem um olho crítico, para não acabar caindo nas garras da pós-verdade.

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