Aprender pela internet: um relato pessoal.

Eu poderia começar esse meu primeiro post na Descola me apresentando de varias maneiras: contar de onde vim, qual minha profissão, o meu prato preferido, o game que eu mais joguei na vida. Mas prefiro fazer contando um história pessoal (que deve soar familiar para alguns de vocês).

Todo dia de manhã eu costumo ter a mesma rotina. Abro o computador e fico entrando em links sobre varios temas. É o meu jeito de conhecer coisas novas e me inspirar para começar o dia.

Além de sair desse processo mais inspirado, frequentemente também saía com vontade de aprender mais sobre muitos assuntos. Numa dessas já tive vontade de estudar economia, começar a desenhar, reformar uma bicicleta antiga (pelo menos isso eu consegui fazer).

Fico empolgado e começo a pensar em maneiras de aprender, mas logo em seguida tomo aquele tapa na cara da realidade que me diz: “com que tempo, meu filho?”.

Veja só você o paradoxo que vivemos (#classemédiasofre): todo dia temos mais coisas para aprender e menos tempo para conseguir realizar.

Foi aí que comecei a me aprofundar mais nesse assunto, na busca esperançosa de encontrar alternativas para aprender de forma mais simples e fugir desse dilema.

Quem procura acha.

A gente vive sob o paradigma de que aprender algo novo leva tempo por alguns motivos. O meu preferido diz respeito a uma errada percepção sobre a expectativa de quem quer aprender coisas novas, de quem quer ganhar uma nova habilidade.

Existe um estudo que determinou muito a maneira de ver o aprendizado, após ter ficado famoso ao ser citado no best seller Outliers, de Malcolm Gladwell. O estudo, chamado de 10.000 hours rule, afirma que para se tornar expert em determinado assunto é preciso praticar e ter uma experiência de 10.000 horas.

O problema dessa teoria que tanto ficou famosa não são as 10.000 horas mas sim o fato de só colocar em perspectiva o tempo que leva para se tornar um expert em determinado assunto. Se tornar um especialista de alta performance, de nível internacional.

A teoria não vale para um cara como eu que não quer ser nenhum expert em economia, em desenho ou em reformas de bicicleta. Não ajuda uma pessoa que só quer entender mais sobre novos assuntos, para saber conversar sobre o tema com com outras pessoas e, caso se interesse de fato, seja capaz de encontrar seus próprios caminhos para se aprofundar.

Ou seja, ser um conhecedor e não um especialista.

Depois que percebi isso fiquei mais calmo, pois escapei das 10.000 horas (ufa!). Mas, quais as outras alternativas e métodos para “manjar mais dos assuntos” ?

Foi aí que me deparei com uma teoria que fez mais sentido para minha rotina. A ideia de que é preciso apenas 20 horas de prática para entender mais sobre um tema, que está no livro The First 20 Hours.

No começo achei a ideia meio surreal. Só 20 horas? Mas no final das contas, com as 20 horas, o objetivo é ter um bom balanço nos dois eixos do conhecido modelo da curva de aprendizagem.

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O maior avanço na curva de aprendizagem se dá nos primeiros momentos de experiencia com o tema.

Pensar assim fez mais sentido pra mim. Comecei a praticar e percebi que com alguma técnica, disciplina e organização do conteúdo é possível aprender rápido e com qualidade.

O livro que fala sobre a teoria traz algumas dicas legais que ajudam nesse sentido:

#1 Desconstrua a habilidade que você quer aprender.

O melhor jeito de aprender é quebrar o tema em pequenas peças. E aprendendo peça por peça é possível aprender o todo.

Por exemplo: se você quer aprender yoga, é melhor aprender primeiro como respirar melhor e só depois seguir para as posições básicas e, por fim, partir para as mais avançadas.

No final do processo, basta conectar todas as pequenas peças (todo os pequenos aprendizados) e, com isso, chegar no aprendizado total.

#2 Aprenda o suficiente até você conseguir se auto-corrigir.

Quando saber se chegamos em um nível Ok de conhecimento? Quando nós mesmos podemos encontrar nossos erros quando estamos praticando.

Essa dica é valiosa e é um bom parâmetro para saber quando chegamos no nível de “conhecedor”.

#3 Preste atenção e remova as barreiras da aprendizagem.

Fuja de tudo que distraia e te faça desistir da rotina de aprender e praticar. Beijo tchau para TV, computador, celular (enquanto estiver aprendendo).

#4 Pratique as 20 horas.

É importante exercitar os aprendizados o máximo de tempo possível. Lembrando sempre que a prática pode se dar de diferentes maneiras: escrevendo um texto/post sobre o assunto, discutindo com outras pessoas, ensinando algum amigo, tendo contato com outras fontes para se aprofundar no tema, ouvir opiniões divergentes etc.

Nessa palestra no TED, o autor fala um pouco mais sobre seu livro.

A teoria das 20 horas me ajudou bastante. Não por achar que ela é perfeita mas por ter aberto minha cabeça sobre técnicas e maneiras diferentes de aprender coisas novas.

Todo mundo tem chance de aprender micro habilidades na internet de um jeito simples e prático. Eu acredito muito nisso e espero que você também … E se precisar de ajuda, nós da Descola, estamos aqui para te ajudar.

Comentários (03)

  1. muito bom o texto. não me dou bem com os chamados “livros de auto ajuda”. mas pegar um resumo da ideia dele é muito bom! muito grato. esse assunto é muito pertinente e aliviador, já que corremos sempre todo dia.

    1. Oi Juarez, td bem? Que bom q gostou do post. Realmente tudo que envolve aprendizado a distância/sozinho/pela web é bastante interessante. Espero que tenha te ajudado …

      Abs,

  2. Muito bom o post. Não resta duvida que a internet veio para ficar e contribuir muito para a evolução humana, trazendo mais conhecimento e facilidade para o aprendizado, mas não podemos deixar de lembrar que toda essa tecnologia se originou do velho e bom livro, palpável e flexível em todos os aspectos.

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