Quem não gosta de pesquisa, bom sujeito não é (ou tá pesquisando errado)

Nas últimas semanas me deparei algumas vezes com pessoas invocando gênios como Steve Jobs e Henry Ford para argumentar porque não acreditam em pesquisa.

“Eles nunca perguntaram se as pessoas queriam um celular ou um carro. Se perguntassem, nunca teriam construído nada novo e ainda continuaríamos andando de carroça e falando em telefones públicos”.

Usar um argumento desse e, nas entrelinhas, se colocar no grupinho de Jobs e Ford já é um erro fundamental só pela sobredosis de arrogância.

Mas ok, deixa eu falar primeiro sobre os aspectos técnicos.

Pesquisa (boa) nunca foi e não é sobre perguntar para as pessoas o que elas querem. Pesquisa (boa) é sobre entender as pessoas, seus contextos, seus valores, seus comportamentos e, a partir daí, encontrar insights e oportunidades para novos produtos/serviços/negócios.

Pesquisa (boa) se come pelas beiradas, tateando o assunto, explorando novas perspectivas e conectando os pontos para revelar o novo.

Pesquisa (boa) é sobre abrir novas janelas, estimular a criação. Não é terceirizar a criatividade para o pesquisado e sim buscar nele os ingredientes para uma boa criação.

Te afirmo: com uma pesquisa (boa) a ponte entre as carroças e os carros, os telefones públicos e os celulares encurtam de tamanho e são mais fáceis de serem transitadas.

Sobre esse assunto, gosto sempre de citar uma frase de um pesquisador que sempre me inspirou: Jan Chipchase.

One of the common misconceptions about what we do is that we ask people what they want from a product or service. Not so. In fact its the last thing we ask, if we ask it at all. We spend most of our time exploring everyday life, from how people date, to underground book clubs, what it means to be a local creative to a local entrepreneur, from hot rods to cold calling. This is the foundation for what follows. A person will speak volumes about what they really want and need, if you can build sufficient trust, empathy and respect.
Agora, deixa eu falar um pouquinho sobre a arrogância. Na minha opinião, quem rechaça a opinião e a inteligência das pessoas (clientes/consumidores) em pleno 2016 não é só arrogante mas desconectado sobre para onde o mundo caminha.

Acho que não preciso tentar te convencer e ficar gastando linhas e linhas sobre a importância de valores como colaboração, empatia, co-criação, certo? Certo.

Eu até entendo que pesquisas ruins, de baixa qualidade, acabam gerando uma rejeição em parte dos profissionais da indústria criativa. Mas meus amigos, vamos lá, não se pode culpar o todo pela parte. Ainda mais quando o todo pode fazer a diferença no momento de criar produtos que melhoram – de fato – a vida das pessoas e o mundo onde elas vivem.

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