As empresas não têm falta de bons profissionais. Elas têm excesso de líderes despreparados!

As empresas não têm falta de bons profissionais. Elas têm excesso de líderes despreparados!

Você já viu isso acontecer. O melhor desenvolvedor da equipe é promovido a tech lead. A vendedora que mais batia meta vira gerente comercial. O analista financeiro mais preciso assume a coordenação. E aí, em poucos meses, a empresa perde um ótimo profissional técnico e ganha um líder frustrado — que não sabe dar feedback, conduzir uma reunião difícil ou desenvolver as pessoas ao redor.

Não é culpa dessa pessoa. É culpa de um sistema que confunde competência técnica com capacidade de gestão. E que trata a promoção como prêmio, quando deveria tratá-la como transição.

A MIT Sloan Management Review tem um termo para isso: accidental manager — o gestor acidental. Alguém que caiu em uma posição de liderança não porque demonstrou habilidade para liderar, mas porque era muito bom no que fazia antes. A provocação é certeira: ser excelente no trabalho atual é um dos piores critérios para decidir quem deve liderar.

Um problema sistêmico e silencioso

Quando um líder recém-promovido tropeça, é tentador atribuir o fracasso a ele. "Não tem perfil", dizem. Mas a verdade é que a maioria das organizações simplesmente não prepara ninguém para liderar, e os números são alarmantes.

A Gallup aponta que apenas 18% dos gestores dizem ter recebido treinamento efetivo antes de assumir o cargo. Dezoito por cento. Ou seja, mais de 80% dos líderes estão descobrindo o que fazer enquanto já deveriam estar fazendo. A Harvard Business Review complementa: 58% dos promovidos a posições de liderança não tinham as competências necessárias para gerir equipes. E a McKinsey vai além — 90% das organizações reconhecem enfrentar lacunas críticas de liderança, e apenas 1 em cada 10 líderes está de fato preparado para liderar em contextos de transformação.

Não estamos falando de pessoas incompetentes. Estamos falando de pessoas competentíssimas em suas áreas técnicas que foram colocadas em uma função completamente diferente — sem mapa, sem bússola e sem rede de apoio.

E, ainda assim, espera-se que elas performem desde o primeiro dia.

O impacto que não aparece no organograma

Segundo a própria Gallup, gestores são responsáveis por 70% da variação no engajamento dos times. Leia de novo: setenta por cento. Isso significa que o nível de motivação, produtividade e permanência de uma equipe depende mais de quem a lidera do que de qualquer outro fator — salário, benefícios, cultura da empresa.

E quando o líder não está preparado, o efeito cascata é devastador. O gestor direto é apontado como o principal fator de estresse no trabalho. Times com líderes despreparados apresentam níveis significativamente maiores de turnover, baixa performance e burnout.

Agora, pense no efeito disso quando o líder não está preparado.

O gestor vira fonte de estresse.
O time perde confiança.
A performance oscila.
As pessoas começam a sair — ou, pior, ficam sem se engajar.

E o mais perigoso: isso raramente aparece de forma explícita.
Vai se acumulando em silêncio, até virar turnover, baixa produtividade e desgaste generalizado.

E aí a empresa perde dinheiro, tempo e gente boa. Tudo porque confundiu promoção com preparação.

O que realmente derruba um líder

Aqui está um dado que deveria mudar a forma como as empresas pensam desenvolvimento: até 70% das falhas de líderes estão relacionadas a habilidades comportamentais. Não é falta de conhecimento técnico. Não é falta de inteligência. É baixa inteligência emocional. Falhas de comunicação. Incapacidade de gerir conflitos. Dificuldade de ouvir.

Ou seja, o que derruba líderes não é o que eles não sabem — é o que eles não sabem fazer com pessoas:

  • dar feedback sem travar
  • conduzir conflitos sem escalar tensão
  • ouvir sem interromper
  • ajustar o próprio comportamento ao contexto

E isso muda completamente o eixo da conversa sobre desenvolvimento de lideranças. Porque se o problema é comportamental, a solução não pode ser técnica. Não adianta dar mais planilhas, mais dashboards, mais processos. O líder precisa aprender a escutar. A dar feedback que desenvolve em vez de paralisar. A criar um ambiente onde as pessoas se sintam seguras para contribuir, errar e crescer.

A liderança mudou. A formação de líderes, não!

A MIT Sloan School of Management aponta uma mudança radical no papel do líder. O modelo antigo era claro: controle, previsibilidade, autoridade. O líder mandava, o time executava. Funcionou durante décadas em ambientes estáveis.

Só que o ambiente não é mais estável. Hoje, liderar exige adaptação contínua, tomada de decisão em cenários de incerteza, influência sem autoridade direta e a capacidade de desenvolver pessoas em ritmo acelerado.

O problema é que a maioria das empresas ainda forma líderes para o modelo antigo. Ensina a gerir processos, não a gerir gente. Ensina a cobrar resultado, não a criar as condições para que o resultado aconteça. Ensina a controlar, não a confiar.

E aí temos um descompasso perigoso: líderes preparados para um mundo que já não existe, tentando navegar um mundo que muda a cada trimestre.

A armadilha do líder de um estilo só

Mesmo entre quem consegue se adaptar à função, existe outro desafio menos óbvio: a tendência de liderar sempre do mesmo jeito.

É natural. Cada pessoa desenvolve um estilo predominante — mais direto ou mais acolhedor, mais estratégico ou mais operacional, mais orientado a resultado ou mais orientado a pessoas. E esse estilo funciona bem em determinados contextos.

Mas os contextos mudam. Liderar uma equipe em fase de crescimento pede habilidades diferentes de liderar em momento de corte. Gerir um time diverso e multigeracional exige sensibilidade que não era necessária em grupos homogêneos. Conduzir uma transformação organizacional demanda uma abordagem completamente diferente de manter a operação rodando.

O líder que opera com um único estilo é como um músico que só sabe tocar uma nota. Em algum momento, a música vai pedir algo diferente — e ele não vai ter o que oferecer.

Então o que resolve?

Se o problema é sistêmico, a resposta também precisa ser. Não basta um workshop de dois dias sobre "liderança situacional". Não basta uma palestra motivacional no kick-off do ano. O que resolve é uma formação que reconheça a complexidade real da função e desenvolva, de forma integrada, as múltiplas dimensões que a liderança moderna exige.

Autoconhecimento como ponto de partida. Antes de liderar os outros, é preciso entender a si mesmo. Quais são seus padrões? Seus gatilhos? Seu estilo natural — e onde estão as lacunas? Sem essa base, qualquer técnica de gestão é superficial.

Gestão de pessoas com humanidade. A era do líder que "cobra resultado e pronto" está acabando. Segurança psicológica não é buzzword — é o que separa times que inovam de times que apenas sobrevivem. Liderança humanizada e compassiva não é fraqueza. É o que permite que as pessoas deem o melhor de si sem adoecer no processo.

Capacidade real de conduzir mudanças. Toda empresa está em transformação constante. Líderes que não sabem conduzir mudanças se tornam obstáculos em vez de facilitadores. Existem modelos estruturados para isso — como o ADKAR — que transformam resistência em adesão. Não é intuição. É método.

Inclusão como prática cotidiana. Diversidade sem inclusão é estatística. Um líder inclusivo não apenas aceita diferenças — ele cria as condições para que essas diferenças se tornem vantagem real. E isso se aprende.

Alta performance sustentável. Bater meta em um trimestre é relativamente fácil. Construir um time que sustenta alta performance ao longo do tempo, sem adoecer, é outra história. Isso exige clareza de propósito, confiança mútua e uma liderança que inspire em vez de pressionar.

Inovação como mentalidade. Inovação não vem de departamentos de inovação. Vem de líderes que criam espaço para o teste, o erro e o improviso. Que entendem que punir o fracasso é a forma mais eficiente de matar a criatividade.

Tecnologia como aliada da gestão. A inteligência artificial já está mudando a forma como decisões são tomadas e equipes se organizam. Líderes que ignoram isso ficam para trás. Líderes que integram a IA no seu dia a dia amplificam seu impacto.

O conceito de Líder Plural

É pensando nessa complexidade que faz sentido falar em liderança plural — a ideia de que um líder completo não é aquele que domina um único estilo, mas aquele que transita entre múltiplas dimensões conforme o que cada situação exige.

Plural porque a liderança eficaz hoje é necessariamente múltipla. Plural porque cada contexto pede uma resposta diferente. Plural porque as pessoas que você lidera são diversas — e merecem uma liderança que reconheça e respeite essa diversidade.

Na Descola, traduzimos esse conceito em uma jornada de 10 cursos que cobrem essas dimensões: estilos de liderança, autoliderança, liderança forte (modelo MOVE), alta performance, liderança para mudança, liderança humanizada, compassiva, inclusiva, dinâmica (com a mentalidade do Jazz) e expandida (com inteligência artificial). São mais de 40 horas de conteúdo entre vídeo e leitura, pensadas para quem quer ampliar seu repertório de forma estruturada.

Não se trata de criar o líder perfeito. Se trata de sair do modo automático e construir, com consciência, a versatilidade que a função exige.

As 10 dimensões do Líder Plural

1. Estilos de Liderança Antes de liderar os outros, você precisa entender como lidera. Este curso explora diferentes padrões de liderança e ajuda você a identificar e desenvolver seu próprio estilo, adaptando-o à sua realidade.

2. Autoliderança na Prática Autoconhecimento, autogestão e propósito. Ferramentas práticas para transformar sua carreira a partir de dentro, dando sentido e direção à sua jornada como líder.

3. Liderança Forte Baseado no Framework MOVE, este curso ensina a liderar com presença em tempo real — criando opções, inspirando confiança e transformando desafios em oportunidades de crescimento.

4. High Performance Leadership Métodos para formar e manter times de alta performance por meio da liderança transformacional. Aprenda a inspirar, engajar e desenvolver sua equipe com confiança e propósito.

5. Liderança Para Mudança Mudança é a única constante. Com o modelo ADKAR, você aprende a conduzir transformações organizacionais convertendo resistência em engajamento genuíno.

6. Liderança Humanizada Os quatro pilares da liderança centrada no ser humano: intenção, atenção, compaixão e cognição. Habilidades para liderar com profundidade e presença.

7. Liderança Compassiva Um modelo de gestão que fomenta segurança psicológica e colaboração por meio da empatia e da escuta. Ambientes seguros geram times mais criativos e produtivos.

8. Liderança Inclusiva Diversidade sem inclusão é apenas estatística. Este curso desenvolve a capacidade de liderar pela ótica da inclusão, formando líderes preparados para um mundo em transformação.

9. Liderança Dinâmica Inspirado na mentalidade do Jazz, este curso ensina a liderar com base na colaboração, no teste, no erro e no improviso — promovendo inovação real no dia a dia.

10. Liderança Expandida Inteligência artificial não substitui líderes — potencializa. Descubra como integrar a IA na sua gestão para amplificar decisões, inovação e eficiência.

Por onde começar

Se você chegou até aqui, provavelmente se reconheceu em algum ponto do texto.

Talvez na sensação de estar liderando mais no improviso do que gostaria.
Talvez na dificuldade de lidar com pessoas, mesmo sendo tecnicamente forte.
Ou talvez, como RH, na repetição desse ciclo — promoção, frustração, troca.

O ponto é que esse problema não tende a desaparecer com o tempo.

A experiência ajuda, mas não resolve sozinha. Na prática, o que costuma acontecer é o contrário: os padrões se consolidam, os erros se repetem e o custo vai se acumulando — no time, nos resultados e no próprio líder.

É por isso que cada vez mais empresas estão deixando de tratar liderança como consequência da carreira e passando a tratá-la como uma competência que precisa ser desenvolvida com método, repertório e intenção.

A ideia de liderança plural nasce exatamente dessa mudança de perspectiva: sair de um modelo único e limitado para construir uma liderança mais consciente, adaptável e preparada para a complexidade real do dia a dia.

Se esse tema te interessa, vale explorar com mais profundidade como essas diferentes dimensões se conectam na prática — e como elas podem ser desenvolvidas de forma integrada ao longo do tempo.

A jornada do Líder Plural na Descola foi estruturada justamente com esse objetivo, reunindo essas frentes em uma formação contínua e aplicada:
https://descola.org/lider-plural